Após revelar estupro, Karen Junqueira lança campanha

Após revelar estupro, Karen Junqueira lança campanha
Foto Reprodução Instagram

Em julho de 2020, Karen Junqueira revelou ter sofrido um estupro aos 12 anos de idade. Assim, em entrevista à revista Claudia, Karen publicou uma carta aberta, na qual revela ter sofrido o assédio ao visitar a casa de uma amiga. Dessa forma, durante o relato, a atriz informa que ao dormir o abusador a estuprou com dedos e língua, em minutos de extrema tortura e desconforto.

O desabafo serviu como uma espécie de libertação para Karen que lança uma campanha para ajudar meninas que sofrem abuso “Ano passado, em meio a pandemia, vivi uma das curas mais importantes da minha vida que foi quebrar o silêncio e contar sobre o abuso que sofri aos 12 anos, e isso foi libertador em todos os sentidos e me fez ir além, principalmente depois de receber tantos relatos parecidos e tantas mensagens de pais e mães que queriam entender como proteger a infância de seus filhos. Decidi então que era preciso fazer mais que contar minha história, era preciso promover – de alguma forma – a conscientização da importância do amparo e cuidado à infância.” explicou.

Cuide da Infância

Intitulada “Cuide da Infância”, a campanha então nasceu do desejo de Karen falar sobre o tema, de fomentar a importância da educação sexual e de todos terem um olhar atento à infância.

“Dra. Maysa me ajudou a elaborar o roteiro e juntamente com um time de parceiros, lanço hoje esse manifesto com um pedido de amparo e cuidado às nossas crianças. Os números são alarmantes e não representam a realidade, e isso precisa mudar.” disse a atriz.

“Precisamos proteger e cuidar da infância de nossas crianças, promover a conscientização desse cuidado é um passo fundamental. Esteja atenta, ensine, ampare. Apoie essa causa. E lembre-se: ao menor sinal de violação à criança, denuncie: 100” completou Karen.

Ao propósito, em pouco dias, o projeto da atriz já conseguiu o apoio de diversas pessoas “Recebi inúmeras mensagens e estou muito feliz de saber que a sementinha foi plantada, que novos olhares estarão atentos e cuidando da infância das crianças que serão o futuro da nossa nação. Um futuro mais saudável, seguro e consciente do lugar que todos devemos ocupar” agradeceu.

Abuso sexual

Um assunto sério e extremamente necessário foi abordado pela atriz Karen Junqueira em julho de 2020. O estupro, a pedofilia e principalmente os pedófilos que andam por ai, como se nada tivesse acontecido.

Assim, em entrevista à revista Claudia, Karen publicou uma carta aberta, na qual revela ter sofrido o assédio aos 12 anos ao visitar a casa de uma amiga.

Durante o relato, Karen então informa que ao dormir o abusador a estuprou com dedos e língua, em minutos de extrema tortura e desconforto.

Desde o ocorrido, passaram-se 25 anos e as emoções sentidas naquela noite vieram à tona, após Karen Junqueira encontrar novamente com o estuprador ao visitar sua família que mora em Minas Gerais e ver que ele vive normalmente como se não tivesse acontecido nada.

Ainda de acordo com Karen, o relato é pra incentivar que meninas/meninos não se calem como ela fez “Precisamos incentivar a não se silenciarem”, contou a atriz.

Veja Também: Karen Junqueira revela ter sido estuprada aos 12 anos por pai de amiga

Após revelar estupro, Karen Junqueira lança campanha
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Confira a carta aberta de Karen

“Aos 37 anos, decidi contar minha história. Senti necessidade de acalentar aquela menina que aos 12 anos sofreu abuso e ficou calada. O objetivo deste relato é encorajar aos que foram abusados a não se calarem. Não podemos mais normalizar a cultura do estupro e do silêncio. Eu conheço os sentimentos que os permeiam: culpa, medo e muita vergonha

Durante muito tempo a terapia me ajudou a enxergar a força que tenho. Decidi transformar feridas em combustível para seguir em frente. É uma longa estrada de erros e acertos comigo mesma.

O abuso que sofri me gerou muitas questões emocionais. Desconfiança excessiva e insegurança foram algumas delas. Durante muito tempo tive que procurar entender e reestabelecer meu valor e lugar no mundo.Poder falar abertamente sobre isso está sendo uma libertação pra mim. Não tenho mais vergonha de me expor

Sou natural de Caxambu (MG). Na minha infância, já percebia coisas que não pareciam muito certas. A cidade é pequena e tinha sempre o “tio” da banca que me oferecia uma bala e, quando ia pegar, apalpava meu seio. Se é que posso chamar de seio essa parte do corpo de uma criança em desenvolvimento. São situações que, ainda criança, não se sabe discernir. Ainda mais quando o abusador é amigável.”

Não enxergamos a maldade e, por muitas vezes, esse assunto acaba não chegando ao conhecimento dos nossos pais. Mas o “tio” da banca foi só o início.

A carta continua

Era aniversário da minha melhor amiga e acabei passando a noite na casa dela. Eu me lembro de cada detalhe. Estávamos juntas, lado a lado, dormindo na mesma cama.

Era tarde da noite, usávamos o mesmo pijama branco estampado com palhacinhos vermelhos. Foi quando meu sono foi interrompido pelo pai dela. Naquele instante meu mundo parou. Eu congelei e sequer consegui abrir os olhos ou a boca para gritar. Lentamente, ele abaixou meu pijama e com seus dedos e língua começou a me tocar.

Foram poucos minutos que se transformaram em uma eternidade massacrante.

Enquanto ele me abusava, sua filha dormia grudada em mim e eu escutava sua esposa tomar banho. Quando o chuveiro parou, ele rapidamente me vestiu o pijama e deixou o quarto. Eu me contorcia chorando e passei o resto da noite em claro, ainda estarrecida. 

Repulsa

No dia seguinte, uma repulsa enorme tomou conta de mim. Fui embora e me afastei da minha melhor amiga na época. Senti muita vergonha de contar o ocorrido e ser culpada de alguma forma, afinal, aquela aquela família era muito próxima dos meus pais. Minha cabeça não entendia.

Fiquei calada durante 10 anos até que, no dia do falecimento do meu pai, tomei coragem e finalmente contei para minha mãe. Alertei que aquela pessoa não era amigo da família, e sim um pedófilo que me abusou.

Pedi para que não tocasse mais naquele assunto comigo, pois me machucava. Um pacto silencioso começou entre nós duas. Ela não mencionou mais, me respeitou. Mesmo aquilo ficando em minha alma, sem expor, não cicatrizou sozinho.

O tempo passou, eu já não morava mais em Caxambu desde meus 18 anos. Meu costume era fazer apenas breves visitas em esporádicos finais de semana durante o ano. Quando a pandemia chegou, resolvi passar um mês com a família. Foi aí que veio tudo à tona novamente. Tive que cruzar com a pessoa que me abusou, vivendo livremente como se nunca tivesse feito algo tão monstruoso. Tomei a decisão de não mais me calar. Ter que relembrar questionamentos da minha mãe (“Será que isso não foi um sonho minha filha?”) me fez refletir profundamente a seriedade disso. É claro que ela não queria acreditar como alguém tão “legal e inofensivo” poderia fazer tal coisa. Não quero julgá-la. Ela é apenas mais uma vítima do machismo estrutural que impera na sociedade. A submissão sempre esteve encruada dentro da minha casa. Reservo à minha mãe sororidade.  

Parte final

Aos pais e mães, deixo aqui o meu alerta. Olhem para seus filhos, conversem com eles e interpretem os sinais. As crianças possuem suas maneiras de demonstrar que existe algo errado através do comportamento. São vulneráveis, por isso se calam.

Dados do Ministério da Saúde dizem que mais de 70% dos casos de abuso infantil acontecem por pessoas próximas. Quando penso que meu silêncio pode ter levado a mais uma vítima daquele pedófilo, sinto ainda mais necessidade de falar. Um pedófilo não age apenas uma vez.

O intuito deste relato é, além de servir de alerta, fazer com que minha história chegue em todos aqueles que, de alguma forma, sofreram qualquer tipo de abuso e se calaram por qualquer motivo. Você não tem culpa, você não precisa ter vergonha de nada. Fale! Esteja onde estiver, cidades pequenas ou maiores, você pode ser ouvido e defendido! Acredite: guardar para si é uma dor maior e os danos podem ser ainda piores.

Se eu conseguir tocar o coração de alguém e encorajar para que denúncias sejam feitas, ficarei imensamente grata e feliz por ter contribuído para que este ciclo de abuso seja quebrado.

Não se calem, vocês não estão sozinhos. Que os meninos e as meninas possam ter a liberdade de descobrirem o verdadeiro sentido do amor, de fazer sexo de forma consciente e na hora certa. Espero que descubram o carinho entre duas pessoas da forma mais bonita e inocente possível.”

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