Douglas Souza relata homofobia em aeroporto

Douglas Souza relata homofobia em aeroporto
Douglas Souza relata homofobia em aeroporto

Douglas Souza detalhou um episódio de homofobia que sofreu no aeroporto de Amsterdã, na Holanda. O jogador de vôlei estava indo para a Itália, aonde foi contratado por um clube para jogar o campeonato italiano. Douglas saiu do Brasil na segunda-feira (06) acompanhado do namorado, Gabriel.

“Era pra ter sido uma viagem bem mais tranquila do que foi. Não vou entrar em muitos detalhes porque não quero levar essa energia comigo. Estou no começo da temporada, uma nova fase da minha vida que precisa dar tudo certo.” começou ele.

“Estava eu e o Gabi, Gabriel meu namorado, a gente pegou um voo de São Paulo, Guarulhos, até Amsterdã. Em Amsterdã, a gente teria que passar pelo controle de passaporte para ir pra Roma pra depois pegar outro voo. Até então estava tudo bem. Quando fomos passar pelo controle de passaporte, o cara falou comigo numa boa. Perguntou o que eu iria fazer na Itália e eu expliquei que sou jogador de vôlei e que tinha sido contratado. Ele perguntou quem era o Gabriel, e eu disse que é meu namorado. Quando eu disse isso, a fisionomia dele já mudou e o tratamento também.” explicou Douglas.

Tratamento diferente

O atleta percebeu então a mudança no tratamento “Ele perguntou o que o Gabriel ia fazer lá, eu mostrei que temos um documento de união estável e que ele estava indo me acompanhar. Ele chamou outro cara que acompanhou a gente para um outro lugar onde tinham mais umas 20 pessoas. Largaram a gente ali por umas 5 horas sem dar nenhum tipo de explicação. Eu cheguei pra perguntar se eu podia tentar ajudar e passei o telefone do meu clube. Eles ligaram pro clube e deu tudo certo, liberaram. Não quiseram nem me explicar.

Portanto, não quiseram liberar o namorado de Douglas “Depois me chamaram em uma salinha e fizeram uma entrevista pra perguntar o que eu ia fazer lá. Até então achei tudo normal, mas queriam saber muito sobre o Gabriel. Pra eles estava difícil entender o termo namorado, pra eles era companheiro. Eles não falavam de jeito nenhum namorado. Não queria deixar, de jeito nenhum, o Gabi passar.”

Eu comecei a perceber um certo padrão no tratamento deles. Estávamos em umas 20 pessoas ali que dessas, 18 eram pretas ou latinas e duas eram eu e o Gabi. Uma pessoa se revoltou com a situação porque uma moça passou na frente dele, uma loirinha de olho azul. Ele começou a gritar e perguntar porque atenderam ela, ser era por ela ser branca. Eles atenderam todas as 20 pessoas na minha frente e não resolviam nada. Não nos explicavam. A gente ficou o dia inteiro lá esperando.”

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Espera longa

Eles então foram liberados após muitas horas de espera “Quando deu 11 horas da noite, que já tinha fechado o aeroporto e não tinham mais voos pra Roma, eles liberaram a gente e mais o moço que estava reclamando. E a gente teve que ficar dormindo dentro do aeroporto. Sentados no chão até as 7 horas da manhã. Não dava pra sair porque já tínhamos passado pelo controle de passaportes. A gente se sente fragilizado com essa situação, a gente não pode fazer nada porque é contra a polícia. Se falasse alguma coisa, se se exaltasse poderia dar problema pra gente. Se eu não tivesse vindo a trabalho, estivesse a turismo, eu já teria ido embora pra casa.”

“Passei 15 horas no aeroporto, o que era pra ter passado umas 3 horas no máximo. Não achei normal essa situação. Eu sei o que eu vivi e o olhar, o jeito que me trataram, eu e meu namorado. É importante falar e mostrar que isso existe. Eu só estou falando porque é importante ter voz e falar. As pessoas tentam jogar debaixo dos panos, mas acontece. Eu espero que ninguém mais passe por isso.” finalizou.

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