Após críticas, GloboNews convoca jornalistas negros para horário nobre

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GloboNews convoca jornalistas negros para o Em Pauta
Após críticas, GloboNews convoca jornalistas negros para o Em Pauta. Foto: Reprodução/Globonews

Depois de críticas por causa da ausência de pessoas negras falando sobre racismo no Em Pauta, a GloboNews convocou seus repórteres, apresentadores e comentaristas negros para a atração. Como noticiado mais cedo aqui no Famosando, o Twitter entrou em polvorosa, porque sete pessoas brancas comentavam as manifestações antirracistas nos EUA. Afinal, o assunto nitidamente é de propriedade de pessoas pretas.

No início do programa desta quarta-feira (3), Marcelo Cosme apresentou a imagem que repercutiu na noite anterior. Em seguida, anunciou que a edição seria diferente.

“Nós entendemos o recado. Hoje a GloboNews aceitou uma sugestão da nossa colega Márcia Gonçalves, lá do Profissão Repórter. Chamar a nossa equipe do mais alto nível para conversar sobre um assunto que eles conhecem bem, porque o enfrentam em suas vidas. Elas farão o Em Pauta de hoje com o Heraldo Pereira na apresentação (…) Mas eu ainda preciso fazer um anúncio importante: a partir de agora a Zileide Silva e a Flávia Oliveira passam a fazer parte do time do Em Pauta”, declarou.

Mudança de escala

A GloboNews tem um time de jornalistas negros em sua equipe, que trabalham nos mais diferentes postos. Dessa forma, a emissora reuniu Maria Júlia Coutinho, Zileide Silva, Flávia Oliveira, Aline Midlej e Lilian Ribeiro como comentaristas, enquanto Heraldo Pereira (que normalmente comanda o Jornal das 22). Maju não participa efetivamente da grade da emissora. Ainda assim, trabalha no jornalismo do grupo Globo, que no final das contas, faz dela parte do casting.

Agora que a GloboNews convoca Flávia e Zileide para o Em Pauta, a Globo terá profissionais negros na frente das câmeras em todos seus horários. O Em Pauta era o único jornal da emissora que não contava com um profissional negro entre dez da manhã e onze da noite.

A origem do problema

Infelizmente, eles são poucos. A presença de profissionais pretos nos jornais do Brasil é nitidamente menor que de brancos. Obviamente isso é desproporcional. Ainda assim, é preciso destacar qual a raíz do problema: pretos não têm acesso às faculdades de jornalismo. O Brasil é um país inicialmente deficiente de cursos na área, por isso, os que existem são bastante concorridos.

Para prestar vestibular, é preciso uma boa educação básica ou um curso preparatório para as provas. Ainda assim, quem não pode pagar pelas mensalidades vê suas chances minguarem, por causa do número de faculdades privadas (e bastante caras) que dominam o mercado.

Assim, vale um relato pessoal: quando entrei na faculdade, 200 pessoas passaram no vestibular comigo. Apenas uma era negra. Repito: de 200 futuros jornalistas que entraram no curso da Faculdade Cásper Líbero (uma das mais tradicionais do ramo) em 2012, apenas uma era negra. O problema não é a GloboNews, é a falta de acesso da população negra e de baixa renda às universidades.

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