GloboNews é criticada por racismo em cobertura nos EUA

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on telegram
Telegram
Globonews é criticada por racismo
Globonews é criticada por racismo. Foto: Reprodução

O Em Pauta, da GloboNews virou notícia nas redes sociais nesta quarta-feira (3). Apresentado por Marcelo Cosme, o jornalístico faz um resumo das notícias diárias e conta com um time de comentaristas para falar a respeito dos acontecimentos. Foi essa equipe que virou problema depois da edição desta terça-feira (2). Desta vez, a GloboNews é criticada por manter jornalistas brancos falando sobre as manifestações contra o racismo nos Estados Unidos.

Além do apresentador, estavam no ar Sandra Coutinho e Jorge Pontual, direto de Nova York. Enquanto isso, Mônica Waldvogel e Demétrio Magnoli falavam de São Paulo. Finalmente, Andréia Sadi e Gerson Camarotti completaram o time. Esse é o elenco fixo do Em Pauta. A exceção dos dois correspondentes nos EUA, que nunca participam do programa juntos, é esse o time de profissionais diário do jornalístico.

O problema é que uma foto do painel com todos os comentaristas brancos ganhou o Twitter. Realmente, todos os jornalistas envolvidos no programa são brancos e isso precisa ser discutido, de alguma forma. No entanto, é preciso dizer: a edição não foi feita por jornalistas brancos falando sobre racismo. O programa entrevistou uma advogada, doutora em relações raciais, que estudou nos Estados Unidos: uma mulher preta.

Essencialmente, entre a cobertura dos protestos (que chegavam num momento tenso nos Estados Unidos), relatos de violência policial no Brasil e a entrevista da advogada, pouco ou nada opinaram os comentaristas.

Jornalistas pretos em frente às câmeras

O Em Pauta vai ao ar diariamente. Com duas horas no ar, o programa ocupa parte do horário nobre no canal. Realmente, nenhum de seus comentaristas fixos é negro. No entanto, vale destacar que ele não é a regra na emissora. A Globonews é criticada por racismo, mas por uma grande falta de contextualização. A emissora tem jornalistas pretos nas mais diversas funções em frente às câmeras.

Aline Midlej comanda o Jornal das 10 ao longo de três horas todos os dias de manhã. Heraldo Pereira é âncora do Jornal das 22, à noite. Flávia Oliveira é comentarista fixa da emissora e faz aparições ao longo de todo o dia no canal. Zileide Silva é uma das repórteres mais respeitadas na emissora e de todo o grupo Globo, de modo geral.

A origem do problema

Infelizmente, eles são poucos. A presença de profissionais pretos nos jornais do Brasil é nitidamente menor que o de brancos. Obviamente isso é desproporcional. Ainda assim, é preciso destacar qual a raíz do problema: pretos não têm acesso às faculdades de jornalismo. O Brasil é um país inicialmente deficiente de cursos na área, por isso, os que existem são bastante concorridos.

Para prestar vestibular, é preciso uma boa educação básica ou um curso preparatório para as provas. Ainda assim, quem não pode pagar pelas mensalidades vê suas chances minguarem, por causa do número de faculdades privadas (e bastante caras) que dominam o campo.

Dessa forma, vale um relato pessoal: quando eu entrei na faculdade, 200 pessoas passaram no vestibular comigo. Apenas uma era negra. Repito: de 200 futuros jornalistas que entraram no curso da Faculdade Cásper Líbero (uma das mais tradicionais do ramo) em 2012, apenas uma era negra. O problema não é a GloboNews, é a falta de acesso da população negra e de baixa renda às universidades.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on telegram
Telegram

Veja também

O site Famosando é um parceiro do IG Gente