Marca se desculpa por cupom de desconto com nome de Kathlen Romeu, grávida negra assassinada no Rio

Marca se desculpa por cupom de desconto com nome de Kathlen Romeu, jovem grávida assassinada no Rio
Marca então se desculpa por cupom de desconto com nome de Kathlen Romeu, jovem grávida assassinada no Rio

A grife Farm foi amplamente criticada nas redes sociais por utilizar o assassinato de Kathlen Romeu, mulher negra fuzilada durante uma operação policial enquanto estava grávida, para vender mais de suas peças de luxo. Kathlen trabalhava em uma loja da grife em Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro.

A Farm fez um texto, nas redes sociais, afirmando que todas as compras feitas pelo site da empresa com um cupom – o código que a jovem utilizava para marcar suas vendas quando trabalhava para a grife – teriam comissões distribuídas para a família de Kathlen.

“A partir de hoje, toda a venda feita no código de Kathlen – E957 – terá sua comissão revertida em apoio para sua família. Reforçando que nós também vamos apoiá-la de forma independente e paralela”, diz o texto da Farm.

Desculpas

Pouco tempo depois, a grife editou a postagem e a ‘promoção’ retirada do ar. “A Farm vem a público se desculpar pela ação que envolveu o uso do código de vendedora de Kathlen Romeu nesse momento tão difícil. Com vocês, entendemos a gravidade do que representou esse ato, por isso, retiramos o código E957 do ar. Continuaremos dando o apoio e suporte à família, como fizemos desde o primeiro momento em que recebemos a notícia.”

A empresa disse ainda que está disponibilizando suporte psicológico e emocional a todos os que necessitem. “Sabemos que nada que fizermos poderá trazer Kath de volta mas nos comprometemos a acelerar ainda mais nossos processos de inclusão e equidade racial para transformar as cruéis estatísticas que levam vidas jovens negras como a de Kath a cada 23 minutos no nosso país.”

Aliás, uma homenagem foi realizada na loja em que Kathlen trabalhava, Visivelmente emocionadas, as funcionárias da unidade da Farm na rua Visconde de Pirajá depositaram flores em um memorial improvisado diante da vitrine. E, de mãos dadas, mais de 25 mulheres ficaram lado a lado, em silêncio, na calçada em frente à loja.

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Entenda

Uma ação da Polícia Militar na comunidade do Lins, na Zona Norte do Rio, terminou com a morte da designer de interiores Kathlen Romeu, de 24 anos, na terça-feira (8). De acordo com moradores, ela foi vítima de uma bala perdida durante o confronto entre criminosos e policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Lins. Kathlen estava grávida de quatro meses.

Em nota, a Polícia Militar informou que criminosos atacaram à tiros os agentes na localidade conhecida como “Beco da 14”, dando início a um confronto.

Segundo a polícia, encontrou-se Kathlen ferida após a troca de tiros. Ela ainda chegou a ser levada para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu.

Assim, agentes fizeram buscas na região e apreenderam um carregador de fuzil, munições de calibre 9mm e drogas.

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga a morte de Kathlen. De acordo com a polícia, testemunhas devem depor para esclarecer todos os fatos e identificar de onde partiu o tiro que atingiu a jovem.

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Desabafo do pai

O pai da designer de interiores Kathlen Romeu, chegou ao Instituto Médico Legal (IML) no começo da manhã desta quarta-feira (9) para liberar o corpo da filha. Assim, ao falar com jornalistas, Luciano Gonçalves lembrou que quis tirar Kathlen da comunidade justamente por causa da violência.

“Noventa e nove por cento da comunidade são pessoas de bem. A mesma operação que tem constantemente na nossa área na Zona Sul não tem. Eu tirei ela de lá por causa da violência. Minha filha era a coisa mais especial da minha vida. Uma pessoa do bem, inteligente”, disse então Luciano Gonçalves.

Dessa forma, o pai dela contou que a família considerava a gestação de Kathlen uma “benção de Deus”, mesmo a jovem estando apreensiva por ter que ficar em casa por causa da pandemia. “Minha filha era a coisa mais especial da minha vida. Cheia de sonhos, uma pessoa do bem, inteligente, que tinha o sonho de ser blogueira, modelo. Estava na melhor fase da vida dela”, afirmou o pai de Kathlen.

Ao propósito, Marcelo Ramos, namorado da jovem e pai do filho que ela esperava, postou um desabafo nas redes sociais. Ele pede que as pessoas respeitem a dor da família e que não despejem ódio sobre a jovem morta em um confronto entre policiais e criminosos.

“Eu peço que respeitem a memória da Kath. Não despejem ódio porque ninguém merece isso. Vocês não têm ideia do que a gente está passando. E o que a gente vai passar vai ser muito pior daqui para frente. Respeitem a dor da família. Principalmente da mãe da Kath, que foi obrigada a ler comentários de pessoas falando besteira“, afirmou Marcelo.

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