Marcius Melhem vai à justiça para proibir reportagem

Marcius Melhem vai à justiça para proibir reportagem
Marcius Melhem então vai à justiça para proibir reportagem

Nesta quarta-feira (25) a Revista Piauí revelou que Marcius Melhem conseguiu proibir reportagem através de uma censura cedida pela justiça. De acordo com o jornalista João Batista Jr. a revista está proibida desde o dia 12 de agosto de publicar uma reportagem sobre os desdobramentos do caso Marcius Melhem. O humorista está sendo acusado de assediar sexualmente pelo menos oito mulheres, todas colegas de trabalho.

O jornalista relatou que no dia 5 de agosto entrou em contato com a assessora de imprensa Isabela Abdala. Esta foi contratada por Melhem em dezembro do ano passado para lidar com as denúncias de assédio sexual. Ele pediu uma entrevista com o humorista e seus advogados. João foi orientado a enviar as questões por escrito e assim fez. Mas, o jornalista deu um prazo de cinco dias para que estas fossem respondidas. Portanto, no dia combinado, a assessora pediu um prazo maior.

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Marcius Melhem então vai à justiça para proibir reportagem
Marcius Melhem então vai à justiça para proibir reportagem.

Justiça

Enquanto negociava mais tempo para responder à piauí, Marcius Melhem, por meio de seus advogados, entrou na Justiça pedindo que a revista fosse submetida à censura prévia. E, assim, impedida de publicar a reportagem em apuração. No dia 12, a juíza Tula Corrêa de Mello, da 20ª Vara Criminal da Justiça do Rio de Janeiro, acatou o pedido de Melhem e determinou “a suspensão, pelo tempo que durarem as investigações, da publicação de matéria na revista piauí ou seu respectivo site”.

Em caso de descumprimento da medida judicial, a juíza estabeleceu multa de 500 mil reais. Além do recolhimento dos exemplares da revista nas bancas e da remoção da reportagem do seu site. Também mandou investigar o vazamento. No direito criminal, a guarda de sigilo judicial cabe aos funcionários da Justiça e às partes envolvidas no processo, e não aos jornalistas.

Na manhã do dia 13 de agosto, depois que a juíza já tinha suspendido a publicação da reportagem, a assessora Isabela Abdala encaminhou um e-mail à revista. Assinado pelos advogados Técio Lins e Silva e José Luis Oliveira Lima, o texto diz que “em respeito ao sigilo decretado nos processos”, Melhem não poderia “responder aos questionamentos” da revista.

piauí está contestando a decisão judicial que submete a revista à censura.

Marcius Melhem então vai à justiça para proibir reportagem
Marcius Melhem então vai à justiça para proibir reportagem.

Assédio

Os desdobramentos jurídicos das denúncias de assédio sexual contra o humorista são múltiplos. Começaram depois que, em dezembro de 2020, a piauí publicou uma reportagem sob o título “O que mais você quer, filha, para calar a boca?”. Para fazer a matéria, ouvi 43 pessoas. Entre elas, duas vítimas de assédio sexual, sete vítimas de assédio moral e três vítimas dos dois tipos de assédio, o sexual e o moral. O episódio mais rumoroso envolve a humorista Dani Calabresa. Seus relatos incluem um ataque ocorrido no bar Vizinha 123, em Botafogo, quando seu antigo chefe tentou beijá-la à força à saída do banheiro. E, com a genitália exposta, pressionou o corpo da artista contra a parede.

Assim que publicou-se areportagem, Melhem processou a piauí, acusando a revista de fazer uma matéria mentirosa e tendenciosa (O juiz Eduardo Tobias de Aguiar Moeller, da 2ª Vara Cível do Foro Regional de Pinheiros, em São Paulo, julgou que a demanda não procedia. Melhem está recorrendo contra a sentença.) Com as revelações da reportagem, o Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro pediu uma investigação sobre a conduta da Globo, cujo setor de compliance apurou o caso internamente, mas nunca informou as vítimas sobre suas conclusões. Em janeiro de 2021, segundo noticiou o jornal Folha de S.Paulo, oito mulheres relataram os casos de assédio de que foram vítimas para a promotora Gabriela Manssur, da Ouvidoria Nacional do Ministério Público. Remeteu-se os relatos posteriormente ao Ministério Público do Rio de Janeiro.

Globo

Nem todos os casos de assédio sexual que chegaram ao setor de compliance da Globo fazem parte da investigação do Ministério Público. A piauí apurou que pelo menos três mulheres, cujos nomes apareceram nas investigações da Globo, decidiram não falar com o MP por razões diversas. Uma delas havia decidido contar seu caso à promotora Manssur, mas, na última hora, voltou atrás com receio de sofrer represálias jurídicas. Investigado pela compliance da Globo durante meses, Melhem tirou uma licença da emissora em março de 2020 e acabou definitivamente afastado em agosto do mesmo ano. A Globo jamais admitiu publicamente que o rompimento do contrato aconteceu devido às denúncias contra o humorista.

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