MPF pede condenação de Júlio Cocielo por racismo

MPF pede condenação de Júlio Cocielo por racismo

O Ministério Público Federal pediu a condenação do influencer Júlio Cocielo por conta de uma série de publicações feitas no X, antigo Twitter, entre 2011 e 2018. O MPF identificou nove vezes em que Cocielo teria incorrido na prática de preconceito racial através de suas redes. Segundo anunciado pelo órgão nesta quarta-feira (03) o processo encontra-se em sua fase final na primeira instância e teve seu sigilo suspenso em dezembro de 2022. assim

Em uma das publicações, ele menciona o jogador francês Kylian Mbappé, em junho de 2018, durante a Copa do Mundo de Futebol. Cocielo escreveu que o jogador “conseguiria fazer uns arrastão top na praia hein”. Após a repercussão negativa, Cocielo apagou cerca de 50 mil tweets de seu perfil e publicou um texto com um pedido de desculpas. assim

Para o MPF, a mensagem mostrou a intenção deliberada de Cocielo em praticar os crimes quando postou os conteúdos na rede social. assim

MPF

“Ainda que o réu seja humorista, não é possível vislumbrar tom cômico, crítica social ou ironia nas mensagens por ele publicadas. Pelo contrário, as mensagens são claras e diretas quanto ao desprezo do réu pela população negra” destacou o procurador da República João Paulo Lordelo nas alegações finais apresentadas pelo MPF na 1° Vara de Justiça Federal de Osasco (SP), em novembro de 2023. assim

“O réu, sem qualquer sutileza, reforça estereótipos da população negra – miseráveis, bandidos e macacos – não havendo abertura, em seu discurso, que permita entrever alguma forma de sátira (…) Não é humor; é escárnio”, diz ainda o MPF.

“O Brasil seria mais lindo se não houvesse frescura com piadas racistas, mas já que é proibido, a única solução é exterminar os negros” e “nada contra os negros, tirando a melanina…” são outras duas frases de Cocielo identificadas pelo MPF e citadas no processo. assim

Liberdade de expressão

O MPF destaca que a liberdade de expressão não é absoluta e deve ser exercida em harmonia com outros direitos fundamentais, sob a prevalência dos princípios da igualdade e da inviolabilidade da honra e da imagem das pessoas. assim

A livre expressão do pensamento, portanto, não admite manifestações que impliquem a incitação ao racismo, segundo o órgão. assim

A denúncia contra o humorista foi originalmente ajuizada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. O caso chegou ao MPF em 2022, que apresentou suas alegações finais em novembro de 2023, reafirmando a acusação contra o influenciador. A manifestação é a última etapa antes do proferimento da sentença pela Justiça Federal. assim

O que diz Júlio Cocielo

Em interrogatório, o humorista se declarou afrodescendente e disse possuir familiares pretos. A defesa alegou uma espécie de imunidade ao humorista quanto a suas declarações, ao afirmar que rede social do réu era seu “palco”.  assim

Em 2018, quando as publicações repercutiram, o influencer chegou a publicar um pedido de desculpas no qual admitia que fez “um comentário muito zoado, muito mal explicado”.

“A gente só precisa prestar atenção nas estatísticas. Por exemplo, muito negro morre sendo confundido com bandido. (…) A gente só precisa se informar. No meu caso, a minha ignorância foi combatida com conhecimento (…) “Sem querer, espalhei o ódio”, disse Cocielo na época.

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