Porta-bandeira homem no Carnaval gera discussão entre sambistas que são contra

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Anderson é o único porta-bandeira homem a desfilar na Sapucaí
Anderson é o único porta-bandeira homem a desfilar na Sapucaí. Foto: Reprodução

Gênero é um negócio que bagunça a cabeça das pessoas às vezes. Então, vamos tentar esclarecer uma dúvida a respeito do Carnaval: Poderia um homem ser porta-bandeira? Pode sim! E, atualmente um deles é Anderson Morango, que desfila pelo Acadêmicos do Sossego, na série A do Carnaval carioca.

Porém, ele não é o único. Aliás, na história, os primeiros porta-bandeiras eram homens. No entanto, eles não usavam saias rodadas como as de hoje em dia. Ainda assim, eram os responsáveis por levar o estandarte da escola ao longo do desfile. A história não mente. E o contrário também é real: algumas mulheres também já foram mestre-sala. Maria Adamastor é um ícone e fez história no posto.

Em entrevista ao Famosando, Anderson conta que chegou a sofrer preconceito, inclusive da própria comunidade. No entanto, agora já estão acostumados com sua função no Sossego.

“Ainda sofro algum preconceito. Algumas Porta-bandeiras veteranas acham um absurdo um homem ser porta-bandeira. Mas, eu acho que falta um pouco elas estudarem a arte que exercem, porque teve Maria Adamastor que foi mestre-sala, Baldo, da Portela, que foi Porta-bandeira!”, lembra Anderson.

“Nos Ranchos, antigamente, balizas e porta-estandartes eram homens, porque havia aquele ‘roubo do pavilhão’, que exigia uma força mais masculina”, lembra. “Eu não estou fazendo nada de errado. A escola só decidiu juntar o histórico com a resistência de hoje”, conclui o artista.

Anderson é o único porta-bandeira homem a desfilar na Sapucaí. Foto: Reprodução
Anderson é Porta-bandeira do Acadêmicos do Sossego, na Série A do Carnaval carioca. Foto: Reprodução
Inspiração

A discussão sobre diversidade que invadiu os barracões de escolas de samba ganhou materialidade na presença de Anderson na avenida. Agora, ele acredita que seja exemplo para outros homens que também gostariam de exercer o posto, mas não se sentiam bem com isso.

“O ser humano pode ser aquilo que ele quer, desde que um respeite o espaço do outro. O que falta no mundo hoje é amor e eu danço com amor! Muitos gays me mandam mensagem falando que eu os represento. E isso é muito bacana. Sair na rua e ser reconhecido como alguém que levanta a bandeira, alguém que lutou e conseguiu!”, diz.

Ainda assim, Anderson não foge da responsabilidade de sua imagem. Ele declara ter ciência que o lugar que ocupa atualmente dá trabalho – e muito trabalho.

“É uma responsabilidade muito grande até pra eu responder às pessoas, até para não ofender. Tem que ter muito dedo até para falar, até para responder aos ataques!”, reflete.

Enquanto isso, na Terra da Garoa

Homens ocupando o posto de porta-bandeiras são exclusividade do Carnaval carioca, pelo menos no mainstream dos desfiles. Afinal, toda a questão histórica, dos quilombos de resistência e do berço da celebração dos escravos começou na antiga capital do Brasil.

Em São Paulo, a novidade ainda parece bastante longe de acontecer. Adriana Gomes, porta-bandeira da Mancha Verde, comenta como seria este cenário no Sambódromo do Anhembi. Para ela, o preconceito maior também viria dos mais velhos. Ainda assim, ela reitera como Anderson defendeu seu posto usando argumentos históricos.

“Eu entendo o sonho dele de ser porta-bandeira. O Carnaval é democrático, pra todo mundo, independente de cor, credo. Claro que os mais velhos vão falar, vão ser mais reticentes. Mas, ele defendeu a tese historicamente de como foi criada a função, a imagem porta-bandeira. Em São Paulo eu tenho quase certeza que não iria acontecer. Mas, compreendo, respeito e acho que ela dança bem. Eu apoio e gosto bastante dele!”, afirma.

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